DEVO E NÃO NEGO, PAGAREI QUANDO PUDER 

Manual de sobrevivência do inadimplente

.............

Pergunta-me algum leitor mais curioso, onde encontrar a serenidade, como fonte de descaso das ansiedades e angústias que assolam o nosso tempo, tão marcadamente contado por modernos relógios, cuja finalidade ampliou-se de tal forma, que contar as horas para medir o tempo da existência, tornou-se apenas um apêndice, um acessório que mistifica o bem mais precioso que podemos apontar como fundamento da vida: o tempo.

Acresce ainda, todo um simbolismo de “status” social, quando se transforma em joia, em marca de “griffe”, com funções extraordinárias e inúteis, mas que exibem poder de preço, que confere “a diferença” entre os relógios.

Mas o que alguns leitores me perguntam é: “onde encontrar a serenidade num mundo tão conturbado, com tantos apelos consumistas, que nos iludem com fantasias de felicidade no ato de comprar” ¿

Difícil pergunta...  Responder sobre “serenidade”, nos remete ao Estoicismo! Mas não vou cair na tentação de tentar responder, pois cabe a cada um, encontrar a sua ‘serenidade’, que certamente será diferente da minha!

Prefiro seguir no caminho prático, e ser ser fiel e pragmático ao meu propósito. Assim sendo, vamos lá!

´

É... Para falar de dívida, somente deve abrir a boca, ou pegar na ‘bic’, quem provou e sentiu no próprio pelo, o terror de ouvir tocar o telefone, ou o celular, ou até mesmo aquela correspondência com cara de execução judicial, que geralmente chega na 2ª. Feira, e nos ameaça durante os cinco dias úteis da semana. Como a espada de Dâmocles, a semana fica suspensa sobre o nosso pescoço. E como é longa a semana! Aguardamos então, com uma mórbida ansiedade, a chegada do fim da semana, quando nos escondemos do penoso constrangimento que nos causa as seguidas chamadas do telefone no nosso ambiente de trabalho, ou os impertinentes recados, geralmente dados, com todas as letras, ou com voz um tanto irônica – uma forma sarcástica de denúncia da inadimplência, com todas as marcas da chantagem social, que procura degradar a imagem do devedor perante os demais.
E no sufoco das dificuldades financeiras, afogamo-nos solitariamente, assim nos sentindo como os únicos devedores do ‘pedaço’, ameaçados pela imagem ‘do desonesto’. Sentimo-nos como o último cidadão desonesto, considerando mesmo, o presídio.

Essa ‘desonestidade’, sempre pronta a colar-se na nossa cara, sentimo-nos fracos, impotentes, fragilizados.

Perdemos a coragem de encarar o outro, olho no olho, como se fossemos um criminoso. Parece que ficamos menor, que diminuímos de tamanho...

Aí começa o terrível pesadelo, começa a insônia, começa o pânico.

Somos intimidados e acatamos a intimidação, psicologicamente desmoralizados.

Não bastasse o sofrimento psicológico, social, do constrangimento, sobrevém-nos a doença: gastrite, úlcera suores nos pés e mãos, o neurovegetativo indo para o ‘brejo’ e carregando nossa autoestima.

Adoece a mente e, consequentemente, adoece o corpo. Levam de nós o melhor dos bens: a saúde.

Comentários